A Mulher de 30


A mulher de 30 e o amor. O que está acontecendo com as nossas Bridget Jones?
O número de mulheres sozinhas cresce na mesma medida que o mercado de livros para solteiras, centrados em heroínas aflitas à procura de um par.
O DIÁRIO DE BRIDGET JONES, de HELEN FIELDING, vendeu 107 mil exemplares no Brasil, onde a tiragem média de um livro é de 2 mil. Ao ser lançada, em 1998, a obra já dava mostras de que teria futuro: mulheres que chegam sozinhas aos 30 se sentem vingadas por aquela gordinha meio neurótica e engraçada que acaba se dando bem. De lá para cá, uma avalanche dos chamados capa cor-de-rosa - ou literatura de mulherzinha - invadiu as livrarias sob a forma de romances, contos, manuais de sobrevivência e derivados. O país não é um caso isolado. Sintoma da globalização, esses livros têm aceitação frenética no mundo. As ucranianas lêem, as inglesas fazem fila no lançamento, as americanas adoram os picantes, as japonesas e as chinesas já entraram na onda, inspiradas nas balzaquianas pós-modernas que desceram do salto para correr atrás de um homem. A febre só não atingiu os países árabes, por razões óbvias - lá, ainda vigora a prática do casório por encomenda. "Entre as mulheres que constroem uma carreira e só aos 30 começam a se preocupar com o bem-estar amoroso, a identificação é imediata", afirma Luciana Villas-Boas, diretora editorial da Record, que publica BRIDGET JONES. "Até então, os romances cheios de dores não refletiam o comportamento da mulher contemporânea", diz. De olho nessa realidade, a Record colocou no mercado 55 títulos - entre eles, o bem vendido SEX AND THE CITY, de Candace Bushnell - e instigou a concorrência. No mês passado, foi lançado CASÓRIO?!, da irlandesa Marian Keyes, que, segundo a Bertrand Brasil, conquistou aqui 200 mil leitoras com MELANCIA, FÉRIAS e SUSHI. Outra linha, mais ousada, chega com A ENTREGA - MEMÓRIAS ERÓTICAS (ed. Objetiva), de Toni Bentley. Nesse caso, a crítica estrangeira achou o texto bem escrito. Rigor estético não é o forte da maioria dos títulos. Tanto que as intelectualizadas demoram a confessar que lêem. Também torcem o nariz porque quase todos apontam o casamento como o antídoto exclusivo para a solidão. Mas não negam: as heroínas são hilárias. As solteiras gostam disso. Mas quem são elas? Como vivem num país onde quatro em cada dez mulheres estão sozinhas? Olhando de perto, é possível entender a nossa Bridget Jones. Com o mesmo desembaraço com que acelera o carro para curtir uma noite sem par, ela chora. Segundo Beatriz Kuhn, da Sociedade Brasileira de Psicanálise, a principal queixa é que seus amores nunca dão certo. "Ela fica sozinha por mais tempo do que gostaria, e isso provoca muita aflição", firma. "Aos 30, se vê como uma baleia encalhada, um Titanic. Olha para as amigas casadas acreditando que só ela sobrou sem marido". A reação imediata é sair disposta a tudo para arrumar um. Aí mora o perigo: ela age com a praticidade de quem procura um emprego. "Ao ver um cara bacana, se aproxima para fechar negócio." A determinação assusta. Os homens estão vivendo outra fase - a revolução masculina, que começou lentamente e com 20 anos de atraso em relação à feminina. Eles não estão maduros o suficiente para atender às expectativas delas", explica Beatriz. Há uma agravante: as altas exigências. Os clientes reclamam, no consultório, que, mal dão o telefone, são intimados a casar. Como as solteiras têm renda 10% maior que a média, se sofisticaram. Um homem confessou à psicanalista que, já no primeiro encontro, a moça agendou um fim de semana em Buenos Aires, outro em Ilhabela, depois em Búzios... Não por acaso, uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas-RJ detectou que, quanto maior é a conta bancária, mais só fica a mulher. "A de 30 vive uma contradição. Ganha grana à beça, mas tem o desejo secreto de que o macho pague o jantar como prova de amor", diz Beatriz. Para ela, as solteiras têm um pé no século 21 e outro nos anos 50. "Não abrem mão dos avanços sexuais, mas sonham casar como a mãe delas." Para abrandar a fervura, Beatriz sugere: "Respirem, a ansiedade atrapalha a percepção de que o grande encontro amoroso, hoje em dia, se dá entre 35 e 40 anos, depois que a mulher se realizou profissionalmente e o homem pôde amadurecer para alcançá-la".
Texto: Patrícia Zaidan - Revista Claudia

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