Prestação de serviços "estranhos". Alugar um marido?


Exclusividade a seu serviço
Personal friend? Marido de aluguel? Veja as novas e criativas funções

No Ministério do Trabalho estão registradas mais de duas mil profissões diferentes, algumas totalmente incomuns e inusitadas. Além da necessidade de fugir do desemprego, muitas pessoas aproveitam seu know-how e experiências pessoais para ampliarem a atuação no mercado. O que, em boa parte dos casos, seria um hobby pode virar uma profissão. É por isso que cada vez mais surgem alternativas bastante criativas para proporcionar aos consumidores o que os prestadores de serviços comuns não oferecem. Já imaginou ter um personal friend ou um personal ipodder? Se você nunca ouviu falar nisso, é bom prestar atenção às novas funções e profissionais que estão se formando. E eles garantem: cliente é o que não falta!
São vários serviços, exatamente aquelas coisinhas que qualquer
marido poderia fazer e não faz, por não ter habilidade ou ferramentas
Mas os serviços personalizados que surgem não refletem apenas as necessidades de quem se propõe a oferecê-los - retratam, também, as atuais necessidades dos consumidores. Muita gente prefere pagar para não ter nenhum tipo de preocupação, ou mesmo para receber um tratamento individual e exclusivo. Ter um serviço diferenciado e inovador, que atenda aos desejos e facilite a vida dos clientes, tornou-se alvo de vários profissionais. Prova disso é a advogada e executiva Andrea Carvalho: "Eu, por ser uma executiva, não tinha tempo para pôr minhas coisas e assuntos particulares em ordem e sempre reclamava disso. Logo vi que eu não era a única com este problema", observa ela, que aliou a experiência adquirida e seu prazer em organizar para criar a Do It!, uma empresa de serviço de assessoria pessoal voltado àqueles que não têm tempo ou não querem se aborrecer com questões do cotidiano.
Estresse e preocupação zero.
A Do It! atende a pessoas que precisam de
dicas ou soluções práticas na hora de trocar, reformar ou decorar a casa, além de organizar e assessorar viagens para oferecer comodidade e tranqüilidade aos clientes. A idéia surgiu quando Andrea estava no processo de mudança entre um emprego e outro: "Tirei algumas semanas de férias e percebi quanta coisa estava pendente em minha vida. Sempre gostei de arrumar, tomar conta da casa, mas estava ocupada demais para isso. Pesquisei, vi que não havia nenhuma empresa que cuidasse de tudo que a Do It! faz, e decidi investir nisso. Estou há mais ou menos quatro meses só neste ramo e encontrei bastante receptividade dos executivos, principalmente", relata.
Hoje, Andrea trabalha gerindo diversos fornecedores, como arquitetos, empreiteiros, eletricistas, buffets, agências de viagem, entre outros. Os contatos e o know how que adquiriu durante os anos em que esteve à frente de grandes empresas foram suficientes para montar a rede de serviços. "Envolve muita gente, mas tudo tem o meu dedo, pois faço questão de que tudo esteja certinho. Para organizar uma viagem de carnaval completa, por exemplo, tive que lidar com agência de viagem, hotel, buffet, restaurante, translado e conseguir os lugares no Sambódromo com a Liga das Escolas de Samba. Eu vendo algo muito conceitual, que pretende garantir ao cliente aborrecimento zero", afirma Andrea.
Problemas em casa? Alugue um marido
Outro tipo de serviço fresquinho que promete acabar com as preocupações de muita gente atende pelo nome de "
Marido de Aluguel". Mas é bom deixar claro o que este "marido" faz: trabalhos domésticos como reparos elétricos, instalações hidráulicas, troca de lâmpadas e dobradiças, regulagem de portas de armários, instalação de varais de teto, pinturas etc - além de motorista particular. "São vários serviços, exatamente aquelas coisinhas que qualquer marido poderia fazer e não faz, por não ter habilidade ou ferramentas", diz Valdir Peres, mais conhecido como "Billy", o marido de aluguel em pessoa. Tudo começou quando ele viu uma entrevista com um norte-americano que havia montado uma agência de "maridos", há quase 20 anos. "Na época eu estava bem, tinha uma transportadora com 43 funcionários; mas meu maior cliente faliu e me levou junto. Desde então passei a pensar melhor na idéia, e há três anos abri o negócio", conta.
Billy cobra R$ 60 por hora de atendimento e garante que o empreendimento vai de vento em popa, principalmente depois de aparecer em revistas e programas de TV. Mas, com a alcunha de "marido de aluguel", é claro que já surgiram episódios engraçados e constrangedores, de pessoas que confundem o anúncio e ligam para contratar outro tipo de "serviços"... "Cantadas de homens são várias. Aliás, fazem propostas muito boas, oferecendo até R$ 1.000 por uma noite. De mulheres são poucas, mas nunca aceitei. Não é essa a minha política. Acontece também de mulheres que querem ficar conversando após os trabalhos, a maioria senhoras com mais de 55 anos. Percebo que elas são muito carentes, até de papo", comenta Billy.

Mas aquele que tem como objetivo curar a carência de muitas tem outra denominação: personal friend. Isso mesmo. Na onda de profissionais que proporcionam uma alternativa de assistência e exclusividade à clientela, surgiu também o "amigo de aluguel", representado, por exemplo, pelo professor de dança Antonio Carlos da Silva Sá, ou Toni Sá, de 47 anos. Toni define o seu papel como "um acompanhante moderno, com muito respeito" - e, mais uma vez, sem qualquer conotação sexual. "Mulheres de várias idades buscam o serviço, sempre que precisam de um 'apoio' masculino para as mais diversas ocasiões", ressalta ele, que cobra em média R$ 50 por hora de companhia.
Tem gente que ganha um iPod, por exemplo, e não tem tempo, não está a fim ou não sabe mexer no aparelho. Aí a pessoa me liga e a gente bate um papo sobre os gostos dela. Geralmente me informam o gênero favorito e eu adiciono o que acho melhor daquele estilo musical
Toni, que já foi estudante de economia, DJ, promoter, comerciante, ator e até professor de português na Alemanha, hoje se divide entre a faculdade de ciências contábeis, aulas e apresentações de dança, sua grande paixão, e as saídas como personal friend. O serviço personalizado baseou-se na função de dançarino de aluguel, que Toni já exercia nos salões do Rio de Janeiro. "Minhas alunas pediam para ir a bailes e organizávamos grupos com dançarinos. Em alguns dias, a aluna contratante estava indisposta e trocávamos a saída de dança por um teatro, um jantar etc. E assim começou o personal friend. Hoje possuo um grande leque de trabalhos feitos, como ir a shoppings, teatros, cinemas, viagens, casamentos, aniversários, lançamento de livros, escolha de apartamento, compra de automóvel e caminhadas no calçadão da orla", descreve.
De acordo com ele, para ser um personal friend, é preciso reunir algumas características, como boa apresentação, educação, cultura, boa fluência verbal, bom humor e paciência. E isso é necessário até para se esquivar de possíveis armadilhas. "Desagradável foi uma exposição de quadros de uma pintora, onde notei que minha presença era para fazer ciúmes no ex-marido da minha contratante. Toda vez que ele passava, ela me abraçava. A situação foi ficando explosiva e uma amiga dela convenceu-a de ir embora. Menos mal", conta. Toni esclarece que, dos encontros, não raro nascem boas amizades, mas deixa de lado qualquer envolvimento mais íntimo. "Tentações existem, mas esse é meu ganha-pão. Quando surge uma mão na perna excessiva, tenho que sair delicadamente. Não posso nem ser rude, nem deixar que a coisa evolua. Não quero que as pessoas confundam minha proposta", confessa o personal friend, admitindo que um pequeno clima de sedução pode ser legal. Toni, que tem um filho de sete anos, também frisa que não atende a homens.
Organizador de músicas pessoal
Opções não faltam para quem quer um atendimento personalizado, seja para pôr a casa em ordem, resolver pepinos do dia-a-dia, sair acompanhada ou até mesmo organizar suas músicas. Pois é, diante de tantos avanços tecnológicos, não seriam remotas as chances de surgir um personal ipodder. A diretora de arte e DJ Cris Naumovs é uma que incorporou a função, que tem como objetivo reunir no tocador de MP3 do cliente as suas músicas preferidas. "Tem gente que ganha um iPod, por exemplo, e não tem tempo, não está a fim ou não sabe mexer no aparelho. Aí a pessoa me liga e a gente bate um papo sobre os gostos dela. Geralmente me informam o gênero favorito e eu adiciono o que acho melhor daquele estilo musical, ou então dizem para quê querem as músicas - para malhar, para receber os amigos etc", explica Cris, que já criou trilhas sonoras para restaurantes paulistanos badalados, como o Ritz. "Há clientes que me descobriram após irem ao restaurante e gostarem da música ambiente", revela.
Atualmente, Cris cobra R$ 1,50 por canção - o mesmo preço sugerido por alguns outros ipodders. Uma trilha completa, dependendo da memória do player, pode chegar a R$ 5 mil. "Não trabalho só com isso, é uma coisa que gosto de fazer. Às vezes estou muito atarefada, mas atendo em média três clientes por mês", diz ela. É. Definitivamente, trabalho é o que não falta para quem tem conhecimento, bagagem, feeling e muita, muita criatividade.

3 comentários:

André Luís Leite disse...

bem interessante mas o pepino é conseguir os clientes - Me alugar como marido? nao sei trocar uma lampada. Personal drug's para cuidar dos limites dos clientes na hora de enlouquecerem...gostei da matéria - falta criatividade mais muita cara de pau. sucesso.

decaraparaodireito disse...

Coisas do nosso bom, velho e, por enquanto, debilidatdo capitalismo. Tudo vira "coisa".
Abraço
Rogério

marido de aluguel disse...

quinta-feira, 30 de abril de 2009










Este marido funciona. Em pequenos reparos, claro
A fórmula começou com Valter Oliveira: desempregado, resolveu alugar suas habilidades em fazer pequenos consertos, instalações e demais tarefas domésticas. Hoje a cidade está cheia de “maridos de aluguel”.
Carlos Ossamu - 29/4/2009 - 19h21


Desar Diniz/Hype

Valter e a mulher, Deise: “Trabalho sozinho, não tenho ajudantes nem terceirizo os serviços”.
Existe no mercado hoje em dia uma oferta enorme de “maridos de aluguel”, mas o original atende pelo nome de Valter Oliveira. Com o sucesso do negócio, muitos copiaram a receita depois de tanta exposição nos meios de comunicação. Valter é um faz-tudo, conserta tomada, instala chuveiro, dá um jeito na torneira que vive pingando e na pia que entupiu. São pequenos reparos domésticos que os maridos de verdade deveriam resolver, mas não resolvem - por falta de tempo, conhecimento ou preguiça mesmo. Então preferem chamar o Valter.
A ideia surgiu em 1999, após perder o emprego de gerente comercial: “Trabalhei como técnico e depois representante da Xerox, fui trabalhar com copiadoras na Sharp e depois numa rede de supermercados no Interior. Fiquei desempregado e não conseguia uma nova colocação“, lembra Valter, que se formou técnico em eletrônica. Sua esposa Deise Oliveira conta que eles moram num prédio e as vizinhas viviam chamando o Valter para fazer pequenos reparos, naturalmente em nome da boa vizinhança, sem pagamento, mas sempre tinha um café com bolo ou um lanche: “Percebi que poderíamos investir nisso e transformar em negócio, pois todo mundo sempre tem alguma coisa em casa para consertar. Gastamos R$ 3 mil em novas ferramentas e na impressão de folhetos. Para chamar a atenção, colocamos “Alugue um Marido”. Algumas pessoas estranharam e levavam para o outro lado, mas muitas acharam a ideia boa”.
Valter conta que desde pequeno era curioso e queria saber como as coisas funcionam. Também gostava muito de construir coisas. “Lembro de meu pai fazendo argamassa com cimento para erguer um muro e eu pegava um pouco para construir uma ponte. Também fazia meus próprios brinquedos com madeira. Quando minha esposa veio com a ideia de me alugar para fazer reparos domésticos, primeiro fiquei meio desconfiado, não sabia se daria certo, mas como não havia outra saída, fomos em frente. Distribuímos os folhetos na vizinhança, no Tatuapé, onde moro, preferencialmente para senhoras e idosas, que tomam conta da casa e não sabem fazer esses reparos”.
A média de atendimento hoje está entre três e quatro por dia. Valter tem clientes em praticamente toda a cidade, não apenas na Zona Leste. As matérias que saíram na mídia ajudaram muito. A primeira reportagem foi na revista Trip, logo em seguida, em 2003, o programa Fantástico, da Rede Globo, fez uma matéria com o casal. “Teve, por exemplo, um casal que se mudou do Sul para cá e precisava fazer várias instalações no apartamento novo, ajeitar móveis e aquelas coisas normais de mudança. A mulher ficou sabendo do meu trabalho e me chamou. No início, o marido ficou meio desconfiado, mas a mulher mostrou reportagens com a minha foto e explicou que eu fazia pequenos reparos domésticos. Até hoje presto serviços para eles. Quando ligo lá para qualquer coisa e o marido atende, ele logo chama a esposa dizendo que é o marido quem está na linha”, brinca Valter.
Segundo ele, a crise financeira ainda não refletiu em seu trabalho. Se por um lado alguns clientes podem ter adiado a pintura da casa ou a colocação de novos azulejos, por outro cresce nesta época a demanda por consertos. Em vez de comprar um chuveiro novo, o cliente prefere trocar a resistência e fazer uma limpeza, o lustre da sala também é consertado e não trocado etc. “Recentemente, teve um cliente que estava com a geladeira quebrada, um modelo caríssimo com duas portas, que deve custar mais de R$ 5 mil. Por R$ 100, o Valter consertou”, conta Deise.
Para se aprimorar nos serviços prestados, Valter fez cursos de elétrica, hidráulica e até montagem de computadores: “Faço a instalação física de computadores e periféricos, o que é normal quando alguém está de mudança. Mas a instalação de programas, apesar de saber, é um trabalho mais demorado e prefiro não fazer. O segredo é fazer serviços rápidos, além de dar bom atendimento e qualidade”. Valter cobra R$ 50 a hora, mas caso haja muito serviço, a diária é de R$ 280: “Trabalho sozinho, não tenho ajudantes nem terceirizo os serviços. Os clientes me conhecem e têm a confiança de me deixar entrar em suas casas. Ter um ajudante, por mais que você conheça a pessoa, pode ser complicado. Por isso, prefiro trabalhar sozinho. Hoje em dia tem muita gente oferecendo o serviço de aluguel de marido. Tem gente que trabalha direito e outros nem tanto. A melhor coisa é ter referências dessa pessoa. A melhor propaganda é o boca a boca, ter a indicação de amigos”.
É claro que nestes anos ele já passou por situações inusitadas. A que mais marcou Deise foi uma mulher que atendeu a porta somente como uma toalha cobrindo o corpo. Valter diz que a situação mais inusitada foi quando uma senhora o chamou para fazer o funeral do cachorro de estimação: “O cachorro estava há muito tempo na família, ficou doente e foi levado para o veterinário, mas acabou morrendo. A senhora queria enterrar o animal no jardim. Cavei uma cova e vieram várias pessoas da família e amigos para o funeral”.
Valter Oliveira - Tel. (11) 9229-0070

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